Os trechos abaixo São do Livro: ‘
Como escrever para a Web’ – Elementos para a discussão e construção de manuais de redação on-line’. Autor: Guilherme Franco, tradução de Marcelo Soares. (Este e-book foi uma iniciativa do Centro Knight para o Jornalismo das Américas, da Universidade do Texas em Austin (Páginas 52 a 56). Clique na capa do livro, abaixo, para baixar grátis o pdf deste livro.
CAPÍTULO 3: Use a pirâmide invertida!
A Internet não apenas resgatou a importância da pirâmide invertida como a melhor estrutura para apresentar textos, como também abriu a possibilidade de que o próprio usuário a construa.
Em março de 2008, Roy Peter Clark, professor do Poynter Institute, centro de pesquisa e formação em jornalismo com sede na Flórida (Estados Unidos), incluiu a pirâmide invertida numa lista de “maravilhas do mundo jornalístico”. A linha que explicava a escolha dizia simplesmente: “Como as pirâmides do Egito, ela passou no teste do tempo”.
Ironicamente, essa distinção vem num momento no qual, em muitas redações do mundo, se diz que a pirâmide invertida ficou fora de moda, sendo substituída por outras técnicas narrativas – uma posição absolutamente polêmica. Em alguns casos, o resultado do uso dessas técnicas narrativas é tão pobre (em essência, dilui a informação), sobretudo no ambiente online, que seria possível falar da transição “da pirâmide invertida à pirâmide pervertida”.
Roy Peter Clark poderia muito bem incluir a pirâmide invertida numa lista de “maravilhas do mundo online/digital”, porque ela atende a todos os pré-requisitos para apresentar conteúdos nesse mundo.
Neste capítulo, acompanharemos a construção de textos, desde os mais simples, estruturados segundo a definição de pirâmide invertida e publicados numa só página da Web, e que são em essência lineares (herança do mundo impresso, mas que se saem muito bem online), até os mais complexos, que tiram proveito do potencial de interligação da Web e permitem uma leitura não linear. Quando nos referimos a ‘simples’ e ‘complexos’, não queremos sugerir que um é melhor que o outro. Fazemos referência apenas ao trabalho que sua elaboração exige do autor/editor. Assim,
apresentaremos o conceito de estratificação da informação.
3.1 Definição de pirâmide invertida
Utilizar a estrutura de pirâmide invertida, na definição tradicional, significa começar o texto com a informação mais importante e depois prosseguir na ordem decrescente de importância.
Nielsen descreve a estrutura de uma forma sutilmente diferente: “Comece o artigo contando a conclusão aos leitores, siga com a mais importante informação de apoio e termine dando contexto. Esse estilo é conhecido como pirâmide invertida pela simples razão de que vira do avesso o estilo tradicional de pirâmide”.
Melvin Mencher, autor do livro clássico de jornalismo ‘News Reporting and Writing’, identifica os seguintes elementos na estrutura da pirâmide invertida:
- A entrada, ou ‘lead’.
- O material que explica e amplia o ‘lead’.
- Parágrafos de contexto.
- Material secundário ou menos importante.
(O termo ‘lead’ vem da palavra inglesa que significa ‘liderar’ ou ‘conduzir’: “É, portanto, o parágrafo inicial que ‘conduz’ tanto o jornalista para desenvolver em seguida a informação, quanto o leitor no conhecimento do fato. Assim se constitui na porta de entrada da notícia”, diz o Manual de Redação do jornal ‘El Tiempo’, da Colômbia. Outros definem essa abertura como a resposta às ‘6 perguntas’ (quem, quê, quando, como, onde e por quê) ou parte delas.
Estrutura da pirâmide invertida
Para marcar o contraste com outras formas de apresentar conteúdos, basta lembrar que os artigos científicos se estruturam de tal forma que as conclusões são a última coisa a ser publicada, depois de itens como a introdução, os objetivos, a justificativa, a metodologia, etc. Da mesma forma, quando um tribunal de Justiça emite uma sentença, a decisão fica para a última página, depois de várias em que se faz o que se chama ‘considerandos’. Quando um desses artigos científicos ou decisões judiciais cai nas mãos de um jornalista, o insumo básico para arrancar a versão jornalística quase sempre está na última página, nas conclusões ou na sentença.
3.2 Justificativa do uso da pirâmide invertida para apresentar conteúdos na Web
Segundo Mencher, a pirâmide invertida permaneceu porque satisfaz as necessidades dos usuários dos meios de comunicação. “Os leitores desejam saber o que aconteceu, assim que a matéria começa a se desenvolver. Se for interessante, prestarão atenção. De outra forma, irão a outro lugar. As pessoas vivem ocupadas demais para parar sem nenhuma recompensa”, diz. Embora Mencher não tenha feito essa afirmação na versão original de seu livro em referência a textos escritos para a Internet, e sim a textos impressos, essa forma de apresentar conteúdos é a que mais se ajusta ao ambiente digital e satisfaz as necessidades dos usuários tanto nas páginas iniciais, resultados de buscas e canais RSS, como em boletins enviados por e-mail.
A origem da pirâmide invertida está ligada à invenção do telégrafo, em 1837, e à preocupação de que a transmissão pudesse ser cortada. Tratava-se de entregar a mensagem o quanto antes. Uma lógica similar funciona na Web: a idéia é que, no instante (menos de um segundo, segundo o EyeTrack III) em que um título captar a atenção do usuário, ele deve ser suficientemente eloquente para dizer de que trata a informação ou matéria (aqui incluímos áudio e vídeo, normalmente apresentados por linhas de texto), para ver se vale a pena lê-la, assisti-la ou ouvi-la ao clicar no link.
“A redação em pirâmide invertida é útil para os jornais porque os leitores podem parar a qualquer momento tendo lido as partes mais importantes do artigo”, dizia Jakob Nielsen no trabalho ‘Pirâmides invertidas no ciberespaço’, ‘Inverted Pyramids in Cyberspace’ (http://www.useit.com/alertbox/9606.html), de 1996. “Na Web, a pirâmide invertida chega a ser até mais importante, já que sabemos por vários estudos que os usuários não rolam a tela, e portanto muito frequentemente eles leem só a parte superior do artigo. Os usuários muito interessados rolarão a tela, e essas poucas almas motivadas encontrarão a base da pirâmide e obterão a matéria completa em todos seus detalhes”, acrescentava.
Em 1997, Nielsen reavaliou essa afirmação no trabalho ‘Mudanças na usabilidade da Web desde 1994’, ‘Changes in Web Usability Since 1994’ (http://www.useit. com/alertbox/9712a.html).
Ali, ele dizia: “Em 1996, eu disse que ‘os usuários não rolam a tela’. Isso estava certo naquele momento: muitos, se não a maioria, dos usuários só olhavam a parte visível da página e raramente faziam ‘scroll’ para abaixo da dobra (primeira tela). A evolução da Web mudou essa conclusão. À medida que os usuários experimentaram mais com páginas que têm rolagem, muitos passaram a fazê-lo. Porém, sempre é bom assegurar-se de que a informação mais importante apareça na primeira tela e evitar as páginas muito longas”.
Abaixo estão alguns links com banco de dados que podem ajudar nas reportagens sobre política/eleições e sobre Cinema:
- Banco de dados de políticos:
http://noticias.uol.com.br/politica/politicos-brasil/
- Transparência Brasil:
http://www.transparencia.org.br/
- Mostra Internacional de Cinema:
http://www.mostra.org/
- The Internet Movie Database:
http://www.imdb.com/
EXERCÍCIO 1:
Utilize essas fontes de pesquisa e desenvolva um texto sobre as Eleições 2010 (utilizando os bancos de dados disponíveis acima) e outro sobre a Mostra Internacional de Cinema de 2010.
- A matéria de política deverá ser sobre o segundo turno das eleições (para presidente ou governador)
- A matéria sobre a Mostra Internacional de Cinema deverá ser 'uma prévia', ou seja, uma matéria que antecede o evento. Vamos falar dos destaques deste ano e do que foi destaque na Mostra de 2009.
* Desenvolva título, lead e mais um parágrafo sobre cada um dos dois assuntos.
EXERCÍCIO 2:
- A partir da tabela abaixo desenvolva um título, lead e encontre uma sugestão de entrevistado para sua matéria.
Tabela 2: - População de 65 anos e mais, Proporção de Idosos e Índice de Idosos, para o
Brasil e Regiões selecionadas do Mundo - 1950-2050
Brasil
e Regiões selecionadas do Mundo
|
1950
|
1975
|
2000
|
2025
|
2050
|
População de 65 anos e mais (em mil)
|
Brasil
|
1.604
|
4.247
|
8.709
|
21.919
|
42.243
|
Países
menos desenvolvidos (*)
|
66.644
|
118.027
|
248.221
|
561.749
|
1.163.054
|
Países
mais desenvolvidos(*)
|
64.202
|
116.029
|
171.069
|
253.912
|
299.249
|
América
Latina e Caribe
|
6.178
|
14.061
|
28.080
|
67.472
|
135.666
|
Sudeste
Asiático
|
6.735
|
10.691
|
24.371
|
58.100
|
177.542
|
Europa
Ocidental
|
14.373
|
23.513
|
29.151
|
41.749
|
46.918
|
Proporção de Idosos
|
Brasil
|
3.0
|
3.9
|
5.1
|
10.1
|
17.8
|
Países
menos desenvolvidos(*)
|
3,9
|
3,9
|
5,1
|
8,5
|
15,0
|
Países
mais desenvolvidos(*)
|
7,9
|
10,7
|
14,4
|
20,9
|
25,9
|
América
Latina e Caribe
|
3,7
|
4,4
|
5,4
|
9,7
|
16,8
|
Sudeste
Asiático
|
3,7
|
3,3
|
4,7
|
8,5
|
22,6
|
Europa
Ocidental
|
10,2
|
13,9
|
15,9
|
22,7
|
27,5
|
Índice de Idosos
|
Brasil
|
7,2
|
9,7
|
18,1
|
46,8
|
92,9
|
América
Latina e Caribe
|
9,2
|
10,6
|
17,2
|
41,1
|
83,7
|
Países
menos desenvolvidos(*)
|
10,3
|
9,4
|
15,7
|
34,1
|
73,9
|
Países
mais desenvolvidos(*)
|
28,9
|
44,2
|
79,1
|
133,1
|
169,3
|
Sudeste
Asiático
|
9,4
|
7,7
|
15,0
|
37,0
|
115,3
|
Europa
Ocidental
|
43,8
|
61,0
|
93,5
|
152,3
|
185,8
|
Dados básicos de: United Nations (1999)(*) Ver nota explicativa anterior
1,
2.
3
EXERCÍCIO 3:
Atividade relativa a aula sobre Jornalismo de Dados na disciplina Produção em Mídia Digital.
Faça um Título, um Lead e procure na Internet dados de contato de um possível especialista para ser entrevistada para sua matéria sobre 'Distribuição etária da população por sexo no Brasil (2000 - 2035)'.
Para fazer esta atividade, leia o texto acima sobre 'Como escrever para a web', e sobre definição e estrutura da pirâmide Invertida, e faça a leitura dos dados contidos no gráfico abaixo.
- Título
- Lead
-------------
- Dados de contato e mini-currículo de possível Especialista para ser entrevistado.
- Nos diga também como você comprovaria a veracidade deste gráfico, e qual é a fonte destes dados.
Distribuição etária da população por sexo - Brasil 2000 - 2035

EXERCÍCIO 4:
- A partir da tabela abaixo desenvolva um lead, título e sugestão de entrevistado para sua matéria.
Tabela A2 - Países mais populosos em 2000 - Índice de Idosos - 1950-2050
Fonte: United Nations, 1999
* Países desenvolvidos mais ricos.
EXRECÍCIO 5
- Planilha com dados nacionais (Google Docs)
- Todas as tabelas da amostra do Censo (IBGE)
- O trecho abaixo foi retirado do texto da coluna 'Afinal de Contas', de Marcelo Soares, publicado na Folha de S. Paulo que utiliza bancos de dados on-line para encontrar pautas e desenvolver matérias.
Em quinze Estados do Brasil, a situação é mais comum do que a de casar só em cartório ou só na igreja. Em cinco Estados (Amapá, Roraima, Pará, Amazonas e Acre), é mais comum viver junto do que qualquer outra formalização do casório. O campeão é o Amapá, onde 63% dos ouvidos pelo Censo disseram viver bem assim.
O Estado mais conservador? Minas Gerais. Lá, 58% dos ouvidos casaram de papel passado e bênção do padre, tudo como manda a tradição.
Este é o mapa devidamente colorido, do amarelo (25% a 35% em união consensual) ao marrom (mais de 55% em união consensual):
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